Londres – Shots de uma revolta I

Fechado nesta cave , este cachimbo esta chama que me leva para o céu triste londrino , este cachimbo que chama com uma raiva inaudita. Para as ruas, capuzes , mãos nos bolsos , contentores , montras de chinocas e começa a chover e começam os tiros , ardem contentores , ardem casas , já tenho uma consola , sapatos novos . No bolso os móveis chamam para outros lados antes que a porcaria apareça nos seus coletes verdes e no seu passo hesitante de tanta civilização. Há bendita Commonwealth que nos tornas tão difíceis prisioneiros. Mais uns polegares , mais uns focos de incêndio e se me perguntares a razão tal não existe . é tudo tão confuso nesta cidade que anda tão depressa, toupeiras apressadas de gabardines de tons escuros , sapatos desportivos , atletas de auscultadores aspirando o smog , taxa de congestão, congestão dos meus sentidos na ponta do vidro. Smack em soho. E continuamos a corrida da pura destruição. Queremos e levamos , ao meu lado duas miúdas que devem conhecer há pouco a menstruação espancam a pontapé os restos de um mostrador Armani,;na rua contígua morrem dois coreanos , imolados em seus negócios familiares.
Gritamos :
Urrahhhh.
Urrrrahhhh .
Urrrahhhh !!!!!!

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Dos altos da Serra de Sintra

Dos altos da serra de Sintra , como há séculos não se escutava , o uivo do lobo cinzento veio. Desceu as encostas lesto, levado pelos nevoeiros e pelo frio que vinha do oceano. Entrou em primeiro lugar nos condomínios plantados à beira do “green” . Olhos de feições corrigidas e ganância inelutável fitaram em pânico o teto temendo a derrocada dos mercados. No subúrbio amontoado de urbanização, com um nome que nem os seus habitantes recordavam, o apelo da alcateia inquietou orçamentos curtos e dívidas em crescendo eterno. No quarto de poucos metros quadrados a menina percebeu que amanhã o pai também não teria trabalho; o grande lobo que descia a avenida deixava marcas de garras em carros ainda de prestação longa, os canais rodavam lentos nas televisões, dedos do medo de amanhã a tudo tentar esquecer.

Dos altos da serra de Sintra , como há séculos não se sentia , desceu uma fome de gente saloia minguando aos poucos . O obsceno cheiro a caviar das mansões repeliu-a como um vómito largado por um pedinte, chefe de família desonrado, na ruela que leva às casas de mesas parcas. No subúrbio amontoado de urbanização, com um nome que nem os seus habitantes recordavam ,o cheiro a privação apertou, ainda mais , cintos em barrigas algo crescidas de fome. Rufando por portas de vergonha , de decência mostrada e não sentida ,a míngua entrou nos bandulhos de tantos, como há tanto neste reino não se via.

Do Rock – Crazy Horse

O canto do olho do Jorge Passado , meu companheiro de drogas e festivais , chamou-me para uma conferência das opções possíveis de subida aos céus em virtude das más condições climatéricas. Disse assim:

– Foda , pá , foda-se, pá . Pá, está a chover com’a merda . Então pá? O que damos pá ? (uma generosa linha de branca antes de sairmos do carro era o motivo para o atabalhoamento do seu discurso)

A minha sinusite impediu-me sempre de desfrutar a plenitude dos prazeres da senhora branca pelo que me encontrava menos afetado que o meu compincha. Apelei ao bom senso:

– Temos que meter as trips ,pá ! Já viste o que chove ? Fazer ganzas ? – Jorge acenou que não – Fazer um risco ? Jorge discordou:
– Fica tudo em papas – depois levantou a cabeça numa pergunta que era a esperança de muita alucinação naqueles olhos dementes. Eu tinha a resposta:

– As trips pá . Vamos ver os cotas com cores bonitas! – O convite agradou a Jorge Passado. Eu não imaginava a barbaridade que estava a dizer. Tomei a pastilha cerca de trinta minutos antes do início da maior tareia de rock n’roll que apanhei.

Quando Neil Young e os Crazy Horse subiram ao palco chovia copiosamente, os homens com rugas feitas de noites de guitarra ,bateria e baixo olharam as grossas gotas com desprezo . Um subiu a gola do casaco mas as mãos rudes e calejadas de eternas horas a dar no bordão da guitarra baixo não hesitaram um segundo. Tinha um trabalho a fazer. Quando a banda encarou a plateia, o grande lamaçal de Vilar de Mouros, havia o brilho de sexo , de drogas e de muita veteranice das coisas do rock. Quando as guitarras entraram Neil Young arrancou um solo que parecia dizer à borrasca que se aguentasse que agora era a hora da eucaristia do deus dos roqueiros .Um frenesim percorreu a multidão , algo mais subtil que a histeria das entradas das bandas de sucesso comercial, um “ummm”, as cabeças a abanar ligeiramente , os pés a acompanhar o bombo.
Olhei em volta, nesse momento o ácido era uma parte de pleno direito da minha corrente sanguínea pelo que ganhei aquele voyeurismo que caracteriza a viagem. Sondei com olhos plenos de relâmpagos de luz o terreiro fértil de gritos de insubordinação e grandes noites de música. Vi algumas caras conhecidas. Um dos Xutos , um antigo traficante de cavalo lá da minha terra , três tipas que gostaria de ter na minha tenda ao final da noite , um maluco que costumo ver em todos os concertos onde as guitarras são rainhas. Todos os olhares estavam siderados nos homens sobre o palco. Havia um certo drama no ar, como se no imaginário coletivo a chuva incessante fizesse que o guitarrista, dedos rápidos e alma fundida com o instrumento, arriscasse a eletrocussão num duelo entre o trovão eminente e a distorção habilmente trabalhada pelo “slide”.

Quando o tema terminou o público aplaudiu com vigor. A banda apenas agradeceu com um acenar de cabeças, como quem agradece uma imperial e arrancou logo para o tema seguinte. O baixo e bateria malharam um ritmo bem marcado até o líder da banda, o canadiano Neil Young , uma lenda viva do rock , acabar de beber o que me pareceu ser cerveja e arrancar ao breu da noite as almas dos que assistiam ao seu espetáculo. De olhos fechados, à beira do palco , a catadupa a escorrer pelo corpo da Fender Stratocaster , as cordas a brilhar , um caleidoscópio feito de notas distorcidas , a aura do grande solo. A cabeça para trás, o cabelo longo mas já sem glória, escorrido da água de Vilar de Mouros. O transe; o dele, o meu.

No lamaçal as brumas de setenta e um misturaram-se com os ácidos de Woodstock e a branca refinada e barata dos dias presentes. No centro de uma poça de água dançava uma mulher, ainda jovem , firmeza no seu busto exposto , os longos cabelos negros eram cataratas de ocultação do seus seios generosos, uma tatuagem de escorpião junto à cintura. Estendeu um braço ao homem à beira do palco. Ele viu-a.
Eu estava agora mais próximo, do palco e da jovem que chamava o velho músico. Havia algo prestes a acontecer. O ácido permitiu-me um ínfimo detalhe na minha observação. Que algum deus abençoe os engenheiros das boas químicas. Procurei nos olhos de Neil Young , um sorriso de desafio rasgou assimetricamente a boca onde os dentes conhecem o sabor de todos os fumos do mundo . Desafio. Havia um desafio feito no gesto daquela mulher de mamas ao léu que apelou a algo. Não era luxúria, era algo que aquele homem conhecia bem. Milhares de palcos, noites e noites perante multidões, trazem um carisma a alguns homens. O que sucedeu foi, no meu psicadélico entender , a honra do overdrive , o momento em que o rock se torna duro e a luxúria é ejaculada na forma de uma sequencia de cordas, torturadas ao limite , uma palheta que se assemelha a uma língua sobre a vulva, o cilindro metálico no dedo médio deslizava ao longo do braço da guitarra ; o efeito era óbvio. Ela reagiu ao homem de pernas abertas, instrumento extensão de si mesmo; a cabeça atirada para trás, a chicotada da longa cabeleira encharcada nas costas, todo o esplendor revelado; os meus olhos feitos microscópio vislumbraram o enrijecer dos mamilos perante a chuva e a música. Aquele solo era dela, aquela visão era dele.

Com um sorriso e um piscar de olho o musico voltou ao microfone, uma manta cobriu a nudez da rapariga. As palavras falavam sobre uma rapariga de canela. Olhei-a de novo, de facto o sol havia criado na sua tez o dourado apetitoso da especiaria.

Do Rock – Manowar

Já regrediste ? Já voltaste , por uns momentos , a tempos que já foram , ao corpo que conteve a tua imortal alma ?

Sentiste o apelo das armas entre os ventos fortes das montanhas das terras a norte ? Ouviste o baixo poderoso a marcar o passo da legião que se aproxima, o respirar tranquilo dos teus irmãos de armas, silenciosos entre o arvoredo, nos punhos os machados e as adagas que bem conhecem a carne romana.

Debaixo dos meus pés o solo do Dramático de Cascais desfez-se perante a carga que ecoava no bombo duplo e no grito guerreiro. Entre a muralha sonora, a congestão dos sentidos e os danos cerebrais algo encontrou o caminho para me levar dali , aos primórdios , às fileiras dos primeiros orgulhosos do seu Luso nome.

Na minha cabeça ecoava a ordem que escutara antes da partida.
O poder de matar com toda a fúria que existe neste afiado cutelo que empunho. A saliva seca.

No desfiladeiro surge a águia romana. Os meus irmãos encostados aos enormes pedregulhos arquejam as costas. Imediatamente atrás deles os arqueiros e os homens da funda . Depois a minha linha , combate corpo a corpo , correremos lestos a ladeira para acabar com os romanos que restarem da chuva de pedra e aço que, em breve, se irá abater sobre eles.
Conto os momentos com o pé a marcar o ritmo de uma canção que não é destes tempos.

Então soa a trompa de Viriato e o inferno desaba sobre os homens de César. As pesadas rochas traçam clareiras de sangue e osso esmagado nas linhas ordeiras da legião. Ferro temperado nas fogueiras dos castros silvam através dos ares e desmantelam a tentativa de formação de um quadrado defensivo. O inimigo está confuso. É o nosso momento
Ergo os punhos ao céu e apelo aos deuses que forjaram o metal nas minhas mãos que este cause morte extrema no inimigo. O grito de guerra , primitivo português mas a palavra , sim , essa já existia . Grito-a enquanto corro como louco liderando a carga da infantaria :
Morre ! Morre !

Invoco os nossos Deuses forjados do aço e do sangue dos nossos antepassados e trespasso o primeiro inimigo com um firme golpe ao pescoço desprotegido de elmo. O sangue encharca-me a face . Limpo a visão e encaro um decurião de espada empunhada, está cercado dos nossos mas é a mim que me encara. Faço o gesto aos meus irmãos de armas para que recuem. Será combate de homem com homem, invasor contra homem da terra onde o sangue se derramará. Mano a mano.

O romano bate-se com valentia mas termina decapitado pelo manejo rápido do meu machado forjado nos fornos de Lusitânia e abençoado pelas montanhas da lua e as falas dos anciões. Ergo meu troféu perante o horror dos restantes soldados inimigos que , rapidamente , depõem as armas mas, para sua má fortuna , nenhum poderá viver em nosso território . Todos passamos à lâmina.

No final do dia os seus corpos ardem numa pira erguida no campo de batalha. Os brados de triunfo, a cidra corre livre . A vitória de um povo inala-se nos corpos mortos dos seus inimigos e nos seus bravos cantos de glória

Do Rock – Fado Negro do Sangue ( Moonspell )

Inspirando as fragrâncias dos fumos sagrados de Quibir, olhos cerrados nas lágrimas da derrota. Valorosos cavaleiros tombados ao devaneio de um imberbe governante. Fortes gentes dizimadas, gritos de São Jorge, pela mãe que está lá tão longe, debandada na areia escaldante. Pela cimitarra passaram, um por um , até só restar aquele que traria as novas da grande desgraça que se abatera sobre o Reino de Portugal e dos Algarves .

Séculos após a vergonha retorna, desviai vossos olhos senhores de Avis e Bragança . A profecia da fome e morte que o frade louco proferiu na ermida onde as cruzes se inverteram chega hoje. Correm demónios pelos caminhos e as veredas, arautos de um Adamastor vingativo ecoam as trombetas do castigo daqueles que se esqueceram do mar. Para seu grande castigo, o peso da terra europeia pune seu piáculo .

Das profundezas Poseídon chama às suas vagas os seus , os homens que rasgavam a crista do oceano em seus hábeis navios. Seu único remendo, com os filhos a morrerem de uma fome que oficialmente não existe, é ir buscar às redes o saciar dos seus. Apertam-se gorros, afagam-se as mãos e bebe-se algo que traga calor e mande embora o medo daquele ventos frios que dançam sobre as águas chamando a si para o descanso azul dos afogados. Pés descalços na areia, mulheres de negro acenam na praia. Trinam as primeiras notas do fado negro do sangue.

Na cidade que recebia, com um sorriso da sua luz única, as especiarias vindas das Índias sombras negras enchem o rosto dos homens, enchem-se de novo os balcões das tabernas .Dos estômagos vazios e cabeças confusas nascem rixas que a navalha resolve. Do alto do castelo Satanás chama o ódio , vingança , obscuros tempos de humilhação de um povo.
Mulheres velhas colocam xailes de fadista e cortam os pulsos escutando a imortal voz de Amália , apartamentos velhos e carcomidos ganham o último silêncio . Na cadeira dourada jaz, olhos incrédulos a um fim tão lento. Sobre a renda que cobre a mesa escorre, negro ,o sangue ;nas águas livres estremece a guitarra que já não quer chorar baixinho
.
Do Tejo levanta-se uma bruma que o orgulho dos antepassados enviou e traz nos seus farrapos fantasmagóricos o cheiro das mulheres frescas dos outros oceanos e o calor da aguardente que afoga o pavor e o escorbuto.
Nos apartamentos tremem as janelas como em cinquenta e cinco de setecentos , pânico , passos apressados correm as calçadas de Lisboa , carros colidem em série nas avenidas apinhadas , no solo as frinchas reclamam as suas primeiras vitimas , mandíbulas de vulcano engolem grande parte da Baixa Pombalina . De uma voz que quase se esquecera de ecoar o pregão grita-se a plenos pulmões

Ao rio , ao mar , ventos lestos levem-nos de volta à rota da nossa glória.

Aos barcos que já não navegam o Tejo , desmantelados os mensageiros da nossa memória por agiotas de terra firme , negro fado que nos exiges o sangue. As guitarras trinam no aço que já não se forja , o vento procura enfunar as velas que se tornaram lençóis de homens sujos e a sua fúria traz a voz de trovão. Sonata negra que demanda nossa submissão.

Na América – Rosemary

Rosemary não saiu à rua quando viu o noticiário. Embrulhada na sua manta de um sofá só, sentiu as lágrimas virem sem controlo. Lá fora as primeiras buzinas, os gritos de América, América , a vitória a descer de Queens e de Long Island . Até da longínqua Jersey ecoam os urros , estrelas e listras ao vento.

Sobre a TV a foto de Paul, vítima oficial número mil oitocentos e quarenta nove do chão zero, consumido no querosene rápido que varreu em fogo o piso onde exercia a função de mediador de seguros. A companhia fora generosa, o dinheiro , todavia , não a impedira de desmoronar como as torres. Fechada noite e dia perante uma televisão e um computador portátil, escuridão, internet , encomendas de antidepressivos, tequila , tacos , chinelos do canal oitenta e dois , um dildo que pouco uso teve , comida , uma lingerie para belas e enormes mulheres , comida a jorros , álcool , mais comprimidos, prescrição online . Um cartão de crédito recheado traz tudo à sua porta.

Tudo menos os passos arrastados do seu Paul . Seu marido , feito cinza , mescla com betão em fusão e restos de outros mortos. Os grupos de apoio das vítimas , os círculos de cadeiras , eu sou John , eu sou Rosemary, eu sou Lou , eu sou Dee-X , eu sou Alfonso , eu sou, eu sou… ,Eu perdi .
Eles , meu Paul , meu querido filho Albert , pai , o meu pai; mi amor , a voar pela janela a arder , eu sei ,era ele.

O baque no pátio interior dos corpos a saltarem . Pum . Pum . Pum . O enlouquecido Sargento Garcia da NYPD em pé no circulo a gritar , mãos a arrancarem pedaços de pele , esgravatando para o crânio . Os baques , os baques , pum , pum , os saltadores do dia onze.

Rosemary abandonara os grupos pois era-lhe inadmissível que alguém sofresse mais que ela. Tornou-se a viúva ermita, gere um fórum online , tem alguns vídeos guardados no seu disco rígido de mensagens de adeus de outros e outras que , tal como ela , haviam entrado na espiral descendente. Esses , aqueles que lhe haviam enviado os vídeos com a arma na mão , com a tigela de veneno no ângulo visível da webcam , soluçando e deixando a vida ir pelos punhos abertos. Esses não haviam vivido para escutar a nova da morte do inimigo. Do homem que chamara os aviões e os loucos.
As lágrimas de Rosemary não são pela morte de Osama , são pelo seu Paul , do qual nada resta exceto a foto para onde o corpo de cento e quarenta quilos se arrasta. Um afago na moldura.

Na América – I

Harry decidiu beber o esquecimento pelo seu projeto falhado nas coxas luzidias de uma ilegal mexicana numa rua central de uma cidade que não figura nos cabeçalhos. No seu bolso o cartão de acesso ao complexo de escritórios tinha agora como única função exercer o tic-tac nervoso do seu vértice sobre as linhas brancas espalhadas sobre o vidro de uma caixa de prata. Na tampa gravado em letras góticas “ Patrocinador oficial da minha noite “.

A noite ainda agora começara para Concepción , mãe de dois ainda vivos para lá da fronteira , dançarina exótica , curvas fartas para bares de nível algum . A noite era ainda caminhante de primeiros passos e já os seus segredos mais íntimos eram cobiçados por este bêbado imundo que lhe calhara na sorte dos varões.

A mão estendida, dez dólares na ponta em direção ao limiar do fio dental da dançarina. Harry tenta gritar mais alto que o potente sistema de som . Ela lê os seus lábios , conhece as lamechas , o amor mentido , os broches negociados após a dança de colo num local mais privado. Filas de fivelas desabotoadas numa reunião empresarial que acaba nos sofás do reservado e no afago de dois pares de lábios para oito pares de olhos esbugalhados na ânsia . Alguém sugere que se traga mais uma rapariga. A voz mais hierárquica dos membros eretos do querer e flácidos do álcool em excesso relembra as contingências orçamentais para a rubrica do entretimento. Um pedido de desculpas, minutos depois a voz ronrona aliviada, vazia.

Harry caminha agora , cachorro pela mão das nádegas latinas de um castanho que a maquilhagem e os anos fizeram doentio , baço, longe do esplendor que outrora tivera nos pateos . Na sala privada a nota de cem , a mão rápida , o olhar do cliente no telefone. Ele diz – Oh Meu Deus ! . Ela julga-o próximo e auxilia com a destreza do seu palato. Sucede , ele grita de novo -Meu Deus .!
Ele grita – o filho da puta está morto . Sobre o vidro tátil algumas gotas de si.