A mesa dos senhores

Foi com visível transtorno que o Senhor Psicadélico informou:

– Vi esta noite o fogo de artificio proporcionado pelo nosso município e , lamento informar , a pobreza das luzes e dos artifícios dos fogos fez-me , contra vontade , ingerir uma cápsula de um delicado ácido .

Os restantes convivas , sentados aquela mesa de fumos e pós , anuíram pela sapiente opção do cavalheiro de tez pálida e roupas escarlates de algumas décadas atrás .

O Senhor Tereche acrescentou :

– O que é uma explosão se não vier a seguir a guitarra distorcida , o grunhir gutural de um insano do senhor Satã ?

Algo nervoso , vindo da sombra que ficava perto do fogo que aquecia os que se sentavam na mesa dos senhores de olhos doentes, interjecionou Tasse:

– Senhores, senhores  de que violências falais   ?  Sossegai-vos diante de um cachimbo de água que semeie a paz entre nós.

Antes do silêncio que é feito da roda de bafos em redor do cachimbo falou Eutanázio.

– O que é uma guitarra em comparação com a corda do enforcado?

O dedo de Tereche estendeu-se pelo meio e depois fez a paz abocanhando o cachimbo que rodava em sua direção