Do Rock – Manowar

Já regrediste ? Já voltaste , por uns momentos , a tempos que já foram , ao corpo que conteve a tua imortal alma ?

Sentiste o apelo das armas entre os ventos fortes das montanhas das terras a norte ? Ouviste o baixo poderoso a marcar o passo da legião que se aproxima, o respirar tranquilo dos teus irmãos de armas, silenciosos entre o arvoredo, nos punhos os machados e as adagas que bem conhecem a carne romana.

Debaixo dos meus pés o solo do Dramático de Cascais desfez-se perante a carga que ecoava no bombo duplo e no grito guerreiro. Entre a muralha sonora, a congestão dos sentidos e os danos cerebrais algo encontrou o caminho para me levar dali , aos primórdios , às fileiras dos primeiros orgulhosos do seu Luso nome.

Na minha cabeça ecoava a ordem que escutara antes da partida.
O poder de matar com toda a fúria que existe neste afiado cutelo que empunho. A saliva seca.

No desfiladeiro surge a águia romana. Os meus irmãos encostados aos enormes pedregulhos arquejam as costas. Imediatamente atrás deles os arqueiros e os homens da funda . Depois a minha linha , combate corpo a corpo , correremos lestos a ladeira para acabar com os romanos que restarem da chuva de pedra e aço que, em breve, se irá abater sobre eles.
Conto os momentos com o pé a marcar o ritmo de uma canção que não é destes tempos.

Então soa a trompa de Viriato e o inferno desaba sobre os homens de César. As pesadas rochas traçam clareiras de sangue e osso esmagado nas linhas ordeiras da legião. Ferro temperado nas fogueiras dos castros silvam através dos ares e desmantelam a tentativa de formação de um quadrado defensivo. O inimigo está confuso. É o nosso momento
Ergo os punhos ao céu e apelo aos deuses que forjaram o metal nas minhas mãos que este cause morte extrema no inimigo. O grito de guerra , primitivo português mas a palavra , sim , essa já existia . Grito-a enquanto corro como louco liderando a carga da infantaria :
Morre ! Morre !

Invoco os nossos Deuses forjados do aço e do sangue dos nossos antepassados e trespasso o primeiro inimigo com um firme golpe ao pescoço desprotegido de elmo. O sangue encharca-me a face . Limpo a visão e encaro um decurião de espada empunhada, está cercado dos nossos mas é a mim que me encara. Faço o gesto aos meus irmãos de armas para que recuem. Será combate de homem com homem, invasor contra homem da terra onde o sangue se derramará. Mano a mano.

O romano bate-se com valentia mas termina decapitado pelo manejo rápido do meu machado forjado nos fornos de Lusitânia e abençoado pelas montanhas da lua e as falas dos anciões. Ergo meu troféu perante o horror dos restantes soldados inimigos que , rapidamente , depõem as armas mas, para sua má fortuna , nenhum poderá viver em nosso território . Todos passamos à lâmina.

No final do dia os seus corpos ardem numa pira erguida no campo de batalha. Os brados de triunfo, a cidra corre livre . A vitória de um povo inala-se nos corpos mortos dos seus inimigos e nos seus bravos cantos de glória

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