Do Rock – Ozzy

As guitarras a rasgarem ,mais alto que o tempo permite. Lá ao fundo o som da bateria, o bombo a marcar o ritmo para as crianças grisalhas da tumba que dançam descontroladas no haxixe e no LSD.

As franjas pendendo das mangas , as lantejoulas e os olhos maquilhados, senhor do demo , tremor de Parkinson que se detêm perante o microfone. E ao canto do palco o homem do machado chama-se Zakk Wylde e trucida a fender .A barba imunda de cerveja , os dedos relâmpago a começar o solo . Leva-nos para a galáxia que fica para lá da bruma dos perdidos.

A voz , mestre Ozzy no vocal a invocar o chifrudo que quer o nosso sangue , troféu da noite que nunca termina. Enrola-me mais um cigarro de erva e deixa-me sentir as tuas nádegas por debaixo da napa, mulher maléfica que vendeste a alma por um orgasmo sem término. Chamas-te algo e não quero saber , quero apenas cuspir em ti , amaldiçoar o mundo e chamar no fogo do pecado mortal o nome do meu senhor .

Não vale a pena procurar a sanidade , foi trocada por um quarto de pastilha no chão deste pavilhão . Este templo do rock , sagrado chão de distorção onde o grande profeta decadente lança o grito , é altura de ficarmos todos malucos. Senhor das trevas vindo ao mundo , messias da distorção leva-me embora.

Troco a alma pelo ritmo da guitarra , mato pelo baixo a malhar o bordão como se o coração do fim do mundo tivesse na sua escala, primeira fila , corpo esmagado pelas grades, nas costas a multidão encosta fatalmente mais um pedaço das minhas entranhas contra o ferro.

Pausa , o prato de choque a marcar o inicio de “War Pigs” . O compasso do juízo final faz-se em ré maior , o anjo negro das trevas estende as suas asas. Ninguém me pode ajudar a voltar ao habitat dos sanos , então que se foda e ponham o som mais alto , nada mais satisfaz, nada me faz sorrir senão este rock n’roll. Junto á beira do palco o príncipe das trevas estende a garra ensanguentada do morcego sacrificado pelos dentes famintos. O brilho nos olhos traz o tempo em que a morgue era o seu mundo e as coisas da morte suas íntimas.

Tudo é tão irreal , nesta primeira fila deixo-me ir na paranoia É demasiado tarde para ser algo fora deste mundo de luzes e watts levados ao extremo.

O corpo do vocalista a tremer, as veias salientes do pescoço resgatam aos sessenta anos o apelo do insano . Uivos à lua, chamamento dos amaldiçoados. E lá vamos nós, até que a ceifeira cale as guitarras

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