Do Rock – Slipknot

Antes que me esqueça do motivo, da tua pequena injúria, do olhar errado que se cruzou com a meu esgar furibundo. Antes que invoques algum motivo na tua civilidade para tal brutal atitude sente o meu punho envolto no soco inglês cruzar o ar e encontrar a fratura da tua massa craniana. Incrédulo, já derrotado, tombas sobre o solo para seres repasto para as biqueiras, reforçadas a metal dos meus pés, que trabucam em remover do teu estômago os restos da tua última digestão, de tornar em resíduos de osso a caixa torácica, de poisar no âmago do esterno com o ímpeto desta simples vontade de te ver expelir o suspiro último.

Agora, que tudo está prestes a acabar para ti, encara esta face sulcada das marcas das rixas, arquivo de golpes de navalha e gargalos quebrados. Entende, antes que eu me esqueça porque te espanco até à morte, que nasci este verdugo, este escroque, esta sinfonia de ultra violência refinada nos ginásios e nos esteroides e que o teu patético erro foi aquele breve segundo em que julgaste que eras adversário à altura da minha gratuita brutalidade.

Entende que para mim a luta, o confronto, o momento glorioso onde o encéfalo estoira perante o asfalto é a vitalidade da minha demente existência. Não me defendo, ataco como uma besta acossada no seu covil. Não me resguardo, não me preservo, luto até ao dia que animal mais forte me faça tombar. Palpitam-me as artérias nas mais refinadas anfetaminas, pobre ideia a tua de me provocares quando corre em mim a substância que faz os equídeos correr a milha mais rápidos que o vento do norte.

Abraço o teu pescoço, dedos hirtos que tão bem conhecem o ponto de pressão que te alterará o tom da tez para o arroxeado terminal dos defuntos. Não implores perdão, essa palavra que não tem algum significado na minha eterna arena. Sê gladiador nobre, encara a ceifeira com valentia e serei lesto na execução, carrasco sorridente que te afagará o cabelo quando partires para Valhalla  dos tristes.

A persistência na clemência que exalas perante meus golpes apenas acresce a minha cólera, és medusa de olhos míopes que se impõe decapitar. Meu saco de ferramentas, meu fiel cutelo amputa-te do corpo que tiveste. Caminha comigo entre as ruas sujas desta cidade, troféu na minha mochila, escuta o silêncio e o zunido dos vermes que habitam a minha masmorra. Junta-te aos resquícios dos outros derrotados na refrigeração da minha câmara, sala de troféus onde outros, débeis como tu, apodrecem os seus semblantes incrédulos perante tão inesperado decesso. Beijo-te um adeus nos lábios já frios e deposito o despojo junto aos restos de outras vitórias. Vasculho, entre os blocos de gelo e as cabeças, por uma garrafa de cerveja que brindo ao imperador de todos os infernos. Do canto da sala ele ergue o polegar ao seu campeão.

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