Prosa curta da branca – Linha IV

Leonel voltou ao bairro.

Leonel tem duas quartas e uma vai meia entre fungadelas no parque de estacionamento da suburbana concentração de betão a que alguns chamam de vila.

Arminda ama Leonel e espera-o

Leonel já não suporta Arminda e entre o caudal mucoso da cocaína sua mente lança-lhe imagens de sua esposa desmembrada.

Arminda muda de canal e sente um pouco de sono

Na mala do veículo velho existe um machado.

No porta-luvas a segunda saqueta é aberta. A nota enrolada reduz-lhe a dimensão em poucos minutos.

Os passos são rápidos na escadaria do prédio.

Lá fora a bagageira do carro, escancarada e vazia

Leonel olhos brilhantes com a morte amputada de Arminda nas mãos e na vontade

Aquela branca do bairro fá-lo valente. De suas papilas gustativas adormecidas desperta a sede da liberdade por morte alheia.

Arminda grita

Leonel golpeia o ar e o desnorte dos sentidos atinge o sofá e não o peito volumoso da sua mulher.

Arminda grita e foge em desnorte.

Trancado em casa a saqueta termina no palato de Leonel

Até à intervenção policial apenas ecoam pelo prédio ,agora desperto, as furiosas golpadas que fazem no menor pedaço possível aquilo a que nunca Leonel quis chamar lar.

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