Prosa curta da branca – Linha II

Um trovão cruza o cérebro excessivo em eletricidade , demoníaca ventania que contorce o sistema nervoso central. Mucosas rasgadas , lâminas ínfimas lapidadas nas encostas da Colômbia.

Gengivas escovadas pela  pele que quer levar para dentro do corpo a dormência dos sentidos , o alerta dos repentes.

As luzes , vermelhas , bolas , espelhos , linhas , espelhos . No palco o cantor esganiça uma versão de algo que já teve ouvintes. E todavia , apesar do pepineiro êxito esquecido e da pouca fluência em agudos do bardo , Renato sente uma incontrolável vontade de dançar.

Olhos feitos de nada açambarcam o losango de tons fora de moda que delineiam a pista de dança. Apercebendo-se do dançarino o artista solo liga a caixa de ritmos e um pedal eletrifica o corpo da viola.

Passos de oitenta aventuram-se sobre a alternância dos néones . Alguns rodopios após a abertura da pista o sangue corre das narinas , imaculado branco da camisa tingindo. Mas Renato dança , deus, como ele dança.

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