Downsizing – II – A província

Adelaide é a  mulher que me oferece os seus favores quando vou de viagem à Covilhã. A névoa do sono caiu sobre a recordação dela nua mordendo os lençóis para não dar a perceber aos vizinhos o prazer que o marido lhe recusa e que eu lhe dava em doses espaçadas pelo cansaço dos cinquenta. O martelar meio amolecido do pénis dividido entre a vontade de vir e o despejar da cerveja bebida.

Conhecia-a há nove anos.  Foi-me apresentada pelo  antigo colega a quem viera substituir naquela zona onde os resultados eram fracos e portanto os prémios não atingiam sequer metade dos que se faziam  no Porto ou Lisboa. Conhecera Adelaide sentada nas cadeiras de plástico foleiro. Emoldurada em paredes de adega regional com molhos de cebolas e coelhos embalsamados a quem o tempo ,e o descuido, haviam corroído o pelo. Vi-a  ao lado do corno do marido, um indivíduo de quarenta e tal anos sempre demasiado atarefado com a gerência dos vários tascos de cara lavada aos quais chamava restaurantes . Tinha por hábito chegar tarde com o cheiro das miúdas russas de dezoito anos que eram importadas para as melhores casas de alterne da zona .

Lembrava uma estrela de cinema já gasta. Percebiam-se ainda as formas que deveriam ter sido de enlouquecer. Todos os corpos conhecem o seu apogeu e o dela devia ter sido glorioso como uma manhã de sol. Mas agora os seios generosos haviam quebrado ao peso dos anos e da monotonia e apenas aqueles “soutiens” fortes que usava os mantinham numa posição de alguma dignidade. As pernas ainda emanavam um bronze atraente mas haviam adquirido aquela forma que transforma as mulheres em leitões de saltos altos.

Foi fácil ganhar-lhe os favores. A primeira ausência do marido e estava feito o acto. Transpiramos nus e cansados, ofegantes no SG e na Macieira. Lembro-me de ter ejaculado cedo demais e dela não parecer se importar com o facto. Naquela noite atravessou-me a ideia que ela copulava regularmente com todos os delegados de propaganda médica que paravam por aquelas zonas. Esta ideia nunca abandonou totalmente a  minha cabeça e já dei por mim a vasculhar as gavetas do quarto procurando por amostras que algum marmelo qualquer da concorrência pudesse ter deixado . Estilo as amostras dos anti-depressivos que uma a vez a vi beber com um cálice de Brandy manhoso.

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